Trapaceamos o tempo. Fazemos uso de uma robusta quantidade de artifícios que só existem para que outras formas de trapaça sejam desenvolvidas e elaboradas ao nosso sabor. Estabeleceu-se um crônico círculo vicioso que gira em torno da produção da novidade, que serve de buraco negro e esconderijo para a alienação. Um pulo nas profundezas do não saber ser e ver. Ou querer perceber o sentir.
Realidades são criadas em cima de antigas realidades, apenas para afirmar a intensa fragilidade humana perante suas próprias criações. Físico, matéria, suposto concreto, em plena batalha contra os fantasmas da própria existência. Ignorantes que ignoram-se e ignoram o desconhecido ousam duelar com a inconsciência.
Pensa-se estar no controle das ondas, das cores e do som, mas se esquece que o tempo é raposa faminta que agilmente invade o silêncio das madrugadas insones. Muito antes de senti-lo e reconhecê-lo como criador legítimo, o último sopro de vida já foi dado e respirado. Pena das rosas que sequer floresceram ou florescerão.
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